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segunda-feira, 23 de maio de 2011

O INTÉRPETE CINEMATOGRÁFICO

    Para o cinema é menos importante o ator representar diante do público um outro personagem, que ele representar a si mesmo diante do aparelho. Pirandello foi um dos primeiros a pressentir essa metamorfose do ator. Com a representação diante do aparelho a auto alienação humana encontrou uma aplicação altamente criadora.
   Pirandello faz um relação dizendo que o intérprete diante do aparelho é da mesma espécie que a estranheza do homem, no período romântico, diante de sua imagem no espelho.
   Segundo Rudolf Arnheim, o atro de teatro ao aparecer no palco, entra no interior de um papel. Essa possibilidade é muitas vezes negada ao ator de cinema, onde a atuação não é unitária e sim, decomposta em várias cenas individuais.

   As exigências técnicas ao ator de cinema são diferentes das que se colocam para o ator de teatro. Os astros cinematográficos, só muito raramente, são bons atores. Isso está ligado à natureza do cinema, pela qual é menos importante que o intérprete represente um personagem diante do público que ele representar a si mesmo diante da câmera.
O cinema cativa mais o público que sonha atuar, em primeiro lugar, é realizável, porque o cinema absorve muito mais atores que o teatro, já que no filme cada intérprete representa a si mesmo. Em segundo lugar, é mais audacioso. A ideia de uma difusão em massa da sua própria figura, de sua própria voz torna mais audaciosa a carreira cinematográfica.




 Teatro de Taormina


CINEMA E TESTE

    Fotografar um quadro é um modo de reprodução; fotografar em um estúdio um acontecimento fictício, é outra forma. Ao fotografar um quadro, o objeto reproduzido é uma obra de arte, mas a reprodução em si não é, pois o desempenho do fotógrafo manuseando a câmera não tem relação com a arte. Na reprodução em estúdio, o objeto reproduzido deixa de ser uma obra de arte e a reprodução também não é arte. A obra de arte surge através da da montagem.

 

    ELLIOT ERWITT

        Forma sui generis: O ator representa diante de uma equipe de profissionais, ao contrário do ator teatral que representa diante do público. A intervenção de um grêmio de técnicos diante da atuação do ator cinematográfico é decisivo para o resultado final da obra.
Representar à luz de refletores e ao mesmo tempo atender às exigências do microfone é uma prova extremamente rigorosa. O interesse desse desempenho é imenso, porque é diante de um aparelho que a esmagadora maioria do cidadãos precisa alienar-se de sua humanidade, nos balcões e fábricas, durante o dia de trabalho.

terça-feira, 17 de maio de 2011

A obra de arte e sua reprodutibilidade técnica

  Em sua essência, a obra de arte sempre foi reprodutível. O que os homens faziam sempre podia ser imitado pelos seus discípulos, em seus exercícios pelos mestres, para difusão das obras, e finalmente por terceiros, meramente interessados em lucro.
  Segundo Benjamin a obra de arte possui uma aura, ou seja, o seu valor de existência única, composta por elementos espaciais e temporais.
  Através da reprodutibilidade técnica é possível a aproximação entre o indivíduo e a obra de arte. Mesmo mantendo intacto o conteúdo da obra, essa reprodutibilidade resulta na destruição da aura, triando da obra o seu valor de existência única, o seu "aqui e agora".