terça-feira, 24 de maio de 2011

Recepção tátil e recepção ótica

     Da massa é o de onde se origina toda nova forma de relação à arte. Dela surgem as transformações e os novos conceitos. Na apreciação de uma obra, a massa e o conhecedor captam de formas diferentes. Enquanto o conhecedor ‘mergulha’ na obra e a transforma em objeto de devoção, a massa a encara como meio de distração e permite que essa obra o invada, deixando-se levar por seus desdobramentos.

     A arquitetura é o protótipo de obra de arte que se mantem viva até hoje. Diversas obras se criaram, passaram e se extinguiram, mas a arquitetura ainda está ai, seus edifícios se perpetuaram. Tais edifícios podem ser percebidos de duas formas: pelo uso e pela percepção. Ou seja: recepção tátil e recepção ótica. A recepção tátil se dá pelo uso, ou o hábito, e menos pela atenção, já a ótica vem da apreciação (contemplação).

    O cinema conseguiu unir de forma extremamente eficiente as duas formas de recepção, já que ao mesmo tempo que gera uma percepção ótica devido à apreciação do público, traz os espectadores para um campo de distração habitual, gerando entretenimento. O cinema se mostra, na contemporaneidade, como o maior objeto de percepção da ciência estética.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O INTÉRPETE CINEMATOGRÁFICO

    Para o cinema é menos importante o ator representar diante do público um outro personagem, que ele representar a si mesmo diante do aparelho. Pirandello foi um dos primeiros a pressentir essa metamorfose do ator. Com a representação diante do aparelho a auto alienação humana encontrou uma aplicação altamente criadora.
   Pirandello faz um relação dizendo que o intérprete diante do aparelho é da mesma espécie que a estranheza do homem, no período romântico, diante de sua imagem no espelho.
   Segundo Rudolf Arnheim, o atro de teatro ao aparecer no palco, entra no interior de um papel. Essa possibilidade é muitas vezes negada ao ator de cinema, onde a atuação não é unitária e sim, decomposta em várias cenas individuais.

   As exigências técnicas ao ator de cinema são diferentes das que se colocam para o ator de teatro. Os astros cinematográficos, só muito raramente, são bons atores. Isso está ligado à natureza do cinema, pela qual é menos importante que o intérprete represente um personagem diante do público que ele representar a si mesmo diante da câmera.
O cinema cativa mais o público que sonha atuar, em primeiro lugar, é realizável, porque o cinema absorve muito mais atores que o teatro, já que no filme cada intérprete representa a si mesmo. Em segundo lugar, é mais audacioso. A ideia de uma difusão em massa da sua própria figura, de sua própria voz torna mais audaciosa a carreira cinematográfica.




 Teatro de Taormina


CINEMA E TESTE

    Fotografar um quadro é um modo de reprodução; fotografar em um estúdio um acontecimento fictício, é outra forma. Ao fotografar um quadro, o objeto reproduzido é uma obra de arte, mas a reprodução em si não é, pois o desempenho do fotógrafo manuseando a câmera não tem relação com a arte. Na reprodução em estúdio, o objeto reproduzido deixa de ser uma obra de arte e a reprodução também não é arte. A obra de arte surge através da da montagem.

 

    ELLIOT ERWITT

        Forma sui generis: O ator representa diante de uma equipe de profissionais, ao contrário do ator teatral que representa diante do público. A intervenção de um grêmio de técnicos diante da atuação do ator cinematográfico é decisivo para o resultado final da obra.
Representar à luz de refletores e ao mesmo tempo atender às exigências do microfone é uma prova extremamente rigorosa. O interesse desse desempenho é imenso, porque é diante de um aparelho que a esmagadora maioria do cidadãos precisa alienar-se de sua humanidade, nos balcões e fábricas, durante o dia de trabalho.

Comunidade ‘Discografias’ é fechada no orkut



SÃO PAULO – A maior comunidade de downloads de músicas do orkut deu seus últimos suspiros no dia de ontem (16). Sob “ameaças da APCM e outros orgãos de defesa dos direitos autorais” os moderadores foram obrigados a trancar todo o conteúdo da "Discografias" na rede social.
A APCM (Associação Anti-Pirataria Cinema e Música) começou a perseguição no final do ano passado, nos bastidores do orkut. O alto volume de arquivos e os mais de 921 mil usuários foram as principais razões para a comunidade ser nominada como o primeiro e principal alvo dos defensores de direitos dos artistas.

O número de participantes ativos da “Discografias” fugia ao controle, pois não era preciso ser membro da comunidade para ter acesso aos arquivos tidos como “ilegais”. Os discos, no entanto, continuam disponíveis na internet, em sites de armazenamento como “Rapidshare”, “Easyshare”, “Megaupload”, entre outros.
Em comunicado na própria comunidade, os moderadores (que não querem se identificar) pronunciaram que o esforço não mudará muita coisa: “Não é com o fechamento desta comunidade e outras equivalentes que as gravadoras irão aumentar seus lucros. Muitos artistas perderão seus meios de divulgação. Milhares de membros terão que procurar outras atividades no Orkut que não seja o download de músicas e afins. O número de sites e blogs de conteúdo similar, mais programas como eMule, Limewire, de torrents e outros P2P, cresce em progressão geométrica”.

O vislumbre do cinema


       Benjamin aborda o cinema como uma grande ferramenta de equilíbrio entre o homem e o aparelho. O cinema serve como uma grande representação, não só do homem, mas do mundo. Tal instrumento serve como forma de vislumbre de uma gama de sentimentos familiares, muitas vezes gera interpretações do inconsciente. Trata-se do cinema, principalmente como uma ferramenta de libertação da mente.
      As diversas focalizações da câmera, com vários tipos de ângulo, mostrando a cena de forma a se fazer entender certa tendência do telespectador, abriu-se pela primeira vez a experiência do inconsciente ótico, da mesma forma que a psicanálise mostra formas de inconsciente pulsional. 
     Os filmes podem servir como grandes “explosões terapêuticas”, já que podem apresentar e gerar sentimentos tanto por uma ótica sonhadora, quanto a uma psicótica.

                                                    Dadaísmo
     O Dadaísmo surgiu num grande período de decadência artística, como forma de mostrar o desprezo pelo mercado, criando obras que não teriam nenhuma serventia comercial, apenas destacava a falta de qualquer comprometimento e beirava o desprezo com a forma e de certa maneira com a própria arte. Tal movimento queria causar choque e indignação. Agredir de maneira visual, tátil e intelectual para que as pessoas recuperassem a visão onírica da arte. Com esse choque, favoreceu-se, por exemplo, a demanda pelo cinema, cuja experiência baseia-se nos diversos jogos de foco e ângulo, tornando uma experiência de ordem tátil.  O Dadaísmo também gerou grandes choques morais e físicos, já o cinema conseguiu unir os dois tipos de choque num só, de patamar elevado, pois um quadro, por exemplo, não possui o mesmo dinamismo das mudanças de imagem e de foco “impressas” na tela de um cinema.

domingo, 22 de maio de 2011

Recepção dos Quadros

A reprodução técnica das obras de arte modificaram a relação da massa com a arte. 
No cinema as reações do indivíduo, cuja soma constitui a reação coletiva são condicionadas pelo caráter coletivo dessa reação. Comparando-se com a pintura, observamos que os pintores queriam que seus quadros fossem vistos por uma pessoa ou poucas pessoas. A contemplação simultânea de quadros por um grande público teve início no século XIX e é um sinal da crise na pintura, causada não somente pela fotografia, mas através do apelo dirigido às massas pela obra de arte.
A pintura será objeto de uma recepção coletiva como foi o caso da arquitetura e como hoje é o caso do cinema. Portanto, a exposição às massas é um desafio.  Nas igrejas e conventos da idade média a recepção coletiva dos quadros não acontecia de forma simultânea, mas através de inúmeras mediações.  Esta situação mudou devido a reprodução técnica das telas.   
A recepção dos quadros  em salões e galerias é  desorganizada, com pouca oportunidade de participação do público e de manifestação aberta do seu julgamento.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Pintor e Cinegrafista

O teatro preserva um caráter ilusionista da cena, enquanto que no cinema a técnica e os aparelhos invadem o real  e o que aparece como realidade pura é o resultado de um processo técnico, através de um ângulo especial etc, mostrando a superficialidade.

Comparando com a pintura, temos a pergunta. Qual a relação entre o cinegrafista e o pintor?  Podemos responder com uma outra comparação entre o mágico e o cirurgião.  O mágico mantém distância entre  ele e o paciente. O cirurgião diminui muito sua distância  com relação ao paciente para operá-lo.  O mágico e o cirurgião estão entre si como o pintor e o cinegrafista.  O pintor observa em seu trabalho uma distância natural entre ele e a realidade, porém o cinegrafista penetra profundamente nesta realidade. A descrição cinematográfica de uma realidade é muito mais significativa que a descrição através de um quadro de pintura.  O cinema oferece o que exigimos da arte: a realidade livre de manipulação dos aparelhos, graças a capacidade de penetrar com os aparelhos na realidade.

Exigência de ser filmado

Cada pessoa hoje em dia pode reivindicar o direito de ser filmado.  Esta situação é comparada a situação dos escritores.  Durante séculos houve uma separação entre poucos escritores e muitos leitores. No final do século passado a situação começou a modificar-se. Com a ampliação gigantesca da imprensa, colocando à disposição dos leitores uma quantidade cada vez maior de recursos um número crescente de leitores começou a escrever.  Com isso a diferença entre autor e público está diminuindo.

Esta realidade se aplica ao cinema, especialmente o cinema russo, onde muitos atores são profissionais liberais representando suas realidades de trabalho.  Na Europa Ocidental, o cinema não favorece que o homem moderno possa representar-se.  A indústria cinematográfica tem muito interesse em estimular a participação das massas. O sucesso maior é com as mulheres, pois mobilizam um poderoso aparelho publicitário.

Toda a forma de arte amadurecida tem três linhas evolutivas: a técnica, as formas artísticas tradicionais e as transformações sociais. O cinema também experimenta estas fases e tem um processo dialético: o princípio da contemplação coletiva, somado ao princípio da contemplação individual, ou seja a participação do indivíduo como receptor de mensagens e imagens transmitidas.

Exposição perante a massa

O modo de exposição está vinculado a técnica da reprodução, inclusive na política. As condições de exposição do político profissional afetam sua carreira e credibilidade.  As democracias expoem o político de forma imediata e a um número ilimitado de pessoas. Esta exposição é fator crucial no processo democrático. O ex-presidente Lula, por exemplo, potencializou sua imagem com ampla exposição. Com a técnica de discursos populares e\ou populistas, com espontaneidade, e  dirigindo-se a segmentos mais carentes da sociedade obteve muito sucesso através de canais de rádio e televisão.

O rádio e o cinema modificam a função d o intérprete profissional, bem como a função do político que representa a si mesmo.  O objetivo do político e do ator é tornar-se "mostráveis" de modo que todos tenham acesso a tais informações. Este processo destaca alguns vencedores, o campeão, o astro e o ditador.

terça-feira, 17 de maio de 2011

A obra de arte e sua reprodutibilidade técnica

  Em sua essência, a obra de arte sempre foi reprodutível. O que os homens faziam sempre podia ser imitado pelos seus discípulos, em seus exercícios pelos mestres, para difusão das obras, e finalmente por terceiros, meramente interessados em lucro.
  Segundo Benjamin a obra de arte possui uma aura, ou seja, o seu valor de existência única, composta por elementos espaciais e temporais.
  Através da reprodutibilidade técnica é possível a aproximação entre o indivíduo e a obra de arte. Mesmo mantendo intacto o conteúdo da obra, essa reprodutibilidade resulta na destruição da aura, triando da obra o seu valor de existência única, o seu "aqui e agora".