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domingo, 22 de maio de 2011

Recepção dos Quadros

A reprodução técnica das obras de arte modificaram a relação da massa com a arte. 
No cinema as reações do indivíduo, cuja soma constitui a reação coletiva são condicionadas pelo caráter coletivo dessa reação. Comparando-se com a pintura, observamos que os pintores queriam que seus quadros fossem vistos por uma pessoa ou poucas pessoas. A contemplação simultânea de quadros por um grande público teve início no século XIX e é um sinal da crise na pintura, causada não somente pela fotografia, mas através do apelo dirigido às massas pela obra de arte.
A pintura será objeto de uma recepção coletiva como foi o caso da arquitetura e como hoje é o caso do cinema. Portanto, a exposição às massas é um desafio.  Nas igrejas e conventos da idade média a recepção coletiva dos quadros não acontecia de forma simultânea, mas através de inúmeras mediações.  Esta situação mudou devido a reprodução técnica das telas.   
A recepção dos quadros  em salões e galerias é  desorganizada, com pouca oportunidade de participação do público e de manifestação aberta do seu julgamento.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Pintor e Cinegrafista

O teatro preserva um caráter ilusionista da cena, enquanto que no cinema a técnica e os aparelhos invadem o real  e o que aparece como realidade pura é o resultado de um processo técnico, através de um ângulo especial etc, mostrando a superficialidade.

Comparando com a pintura, temos a pergunta. Qual a relação entre o cinegrafista e o pintor?  Podemos responder com uma outra comparação entre o mágico e o cirurgião.  O mágico mantém distância entre  ele e o paciente. O cirurgião diminui muito sua distância  com relação ao paciente para operá-lo.  O mágico e o cirurgião estão entre si como o pintor e o cinegrafista.  O pintor observa em seu trabalho uma distância natural entre ele e a realidade, porém o cinegrafista penetra profundamente nesta realidade. A descrição cinematográfica de uma realidade é muito mais significativa que a descrição através de um quadro de pintura.  O cinema oferece o que exigimos da arte: a realidade livre de manipulação dos aparelhos, graças a capacidade de penetrar com os aparelhos na realidade.

Exigência de ser filmado

Cada pessoa hoje em dia pode reivindicar o direito de ser filmado.  Esta situação é comparada a situação dos escritores.  Durante séculos houve uma separação entre poucos escritores e muitos leitores. No final do século passado a situação começou a modificar-se. Com a ampliação gigantesca da imprensa, colocando à disposição dos leitores uma quantidade cada vez maior de recursos um número crescente de leitores começou a escrever.  Com isso a diferença entre autor e público está diminuindo.

Esta realidade se aplica ao cinema, especialmente o cinema russo, onde muitos atores são profissionais liberais representando suas realidades de trabalho.  Na Europa Ocidental, o cinema não favorece que o homem moderno possa representar-se.  A indústria cinematográfica tem muito interesse em estimular a participação das massas. O sucesso maior é com as mulheres, pois mobilizam um poderoso aparelho publicitário.

Toda a forma de arte amadurecida tem três linhas evolutivas: a técnica, as formas artísticas tradicionais e as transformações sociais. O cinema também experimenta estas fases e tem um processo dialético: o princípio da contemplação coletiva, somado ao princípio da contemplação individual, ou seja a participação do indivíduo como receptor de mensagens e imagens transmitidas.

Exposição perante a massa

O modo de exposição está vinculado a técnica da reprodução, inclusive na política. As condições de exposição do político profissional afetam sua carreira e credibilidade.  As democracias expoem o político de forma imediata e a um número ilimitado de pessoas. Esta exposição é fator crucial no processo democrático. O ex-presidente Lula, por exemplo, potencializou sua imagem com ampla exposição. Com a técnica de discursos populares e\ou populistas, com espontaneidade, e  dirigindo-se a segmentos mais carentes da sociedade obteve muito sucesso através de canais de rádio e televisão.

O rádio e o cinema modificam a função d o intérprete profissional, bem como a função do político que representa a si mesmo.  O objetivo do político e do ator é tornar-se "mostráveis" de modo que todos tenham acesso a tais informações. Este processo destaca alguns vencedores, o campeão, o astro e o ditador.

sábado, 16 de abril de 2011

A Comunicação de Massa – usos e gratificações

A comunicação de massa é um produto de informação e entretenimento produzido e padronizado com destino a grandes públicos.  No entanto, com a teoria dos usos e gratificações é necessário uma revisão sobre essa padronização e os usos e necessidades “gratificações” dos indivíduos.
“Usos e gratificações” é conectar o consumo, o uso e os efeitos da mídia com a estrutura de necessidades do destinatário.  Mostrando a idéia de audiência como conjunto de indivíduos  divididos pelo contexto social com suas próprias  necessidades e o consumo de diversos gêneros de comunicação.
A comunicação de massa precisa ser analisada, considerando:
  1. Efeitos desejados ou objetivos da comunicação X usos ou motivações do  destinatário;
  2.  Comunicação de massa X gratificação às necessidades dos indivíduos;
  3. O receptor age sobre a informação e a usa, conforme sua interpretação;
  4. Emissor e receptor são companheiros ativos no processo de comunicação
  5. Conexão entre tipos de necessidades e consumo de mídia
  6. Os meios de comunicação de massa competem com outras fontes de satisfação de necessidades.
O processo de comunicação de massa precisa responder a estas questões, estando adequado aos contextos sociais e a experiência dos receptores. O efeito desta comunicação é medido pela gratificação às necessidades do receptor.  “Os meios de comunicação são eficazes se o receptor lhes atribui esta eficácia.”
Big Brother Brasil
Os meios de comunicação, especialmente a televisão satisfazem necessidades cognitivas, afetivo-estética e de evasão (abrandamento das tensões e dos conflitos). 
No entanto pesquisas indicam que a “fruição televisiva é mais uma questão de disponibilidade do que de seleção”, neste sentido temos o programa Big Brother Brasil que é um exemplo de reality show com alto índice de audiência.  Segundo pesquisas este programa atende a necessidade da maioria da população por aliviar as tensões. Outros  motivos da audiência são a necessidade de saber da vida alheia, o gosto simples pela fofoca e em última análise a necessidade de se projetar e se imaginar naquela situação privilegiada de destaque nacional. 
A maioria das pessoas adora saber da vida dos outros. O Orkut, o Twitter e os blogs, além do Myspace, do Facebook, You Tube mostram ainda mais, como somos, o que vestimos, o que as pessoas estão pensando...
Assim, este programa da Rede Globo atende as expectativas de um número elevado de expectadores, em sintonia com as novas tecnologias de mídia.